As crianças com necessidades especiais de Kikajjo

Voluntários do Projeto Escola em Uganda participando das atividades do Dia da Boa Ação

No mês de abril acontece o Dia da Boa Ação e, para isso, a ONG TORUWU organizou um dia de atendimento fisioterapêutico e nutricional para crianças com necessidades especiais da região.

No vilarejo de Kikajjo, assim como em outros vilarejos rurais de Uganda, as crianças com necessidades especiais não tem o devido suporte ao nascerem e nem durante o seu desenvolvimento. As famílias não possuem conhecimento e recursos financeiros para prover os materiais de suporte necessários as crianças, tampouco uma boa alimentação.

Se não fosse o bastante, existe a triste crença popular que essas crianças são “amaldiçoadas”, que seriam consequências de “feitiçaria” contra a família. Um exemplo prático dessa crença, é que antigamente algumas famílias levavam as crianças para serem atendidas em hospitais e a abandonavam. Hoje felizmente isso não ocorre mais, mas os resquícios de crenças passadas ainda resulta no isolamento dessas crianças em suas casas. Nesse caso, a característica de acolhimento tão marcante na comunidade não se faz presente pelo receio que envolve a superstição.

Entretanto, sabemos que os motivos que resultaram na condição dessas crianças são outros, como a falta de acesso a questões  básicas de saúde. O resultado de falta de investimento público e impossibilidade de acesso por meios privados é a disseminação de doenças – como a Malária que afeta diretamente o feto durante a gravidez – além da desnutrição que assola diversas crianças durante sua formação.

Crianças com necessidades especiais e suas respectivas famílias durante o Dia da Boa Ação

Nesse cenário, a ONG TORUWU procura prestar suporte a essas famílias: arrecadando materiais especiais (tapetes, cadeiras, camas, etc) que possam atender as necessidades das crianças, doando alimentos que possam contribuir com a nutrição, provendo acesso a fisioterapia para realização de exercícios e educando os pais como exercitarem e alimentarem seus filhos. Contudo, existem diversas limitações e todos esforços ainda não são suficientes.

A ONG TORUWU ajuda como e quando pode mas os recursos são limitados e não suprem as necessidades das crianças. Os materiais especiais dependem de doações e por o valor do fisioterapeuta ser muito elevado para a realidade da ONG, o projeto de atendimento a essas crianças que conseguia prover 1 (um) atendimento por mês – o que já seria muito pouco -, teve que ser suspendido no final de 2016. Atualmente, o acompanhamento das famílias existe apenas em eventos isolados para esse público.

No último atendimento, podemos interagir com algumas das famílias que a ONG acompanha e conhecer mais cada uma das suas realidades. Conhecemos Linda e Waswa, de 11 e 9 anos, que possuem hidrocefalia; Rayan e Jordan, de 8 e 4 anos, que possuem paralisia cerebral; e também, Madrine, de 9 anos, que possui deficiência nas cordenações motoras e que já eramos próximos por estudar na St. Mary’s School. Apesar de cada família ter seus próprios desafios – que não são poucos -, com amor e empenho procuram criar as melhores condições para as crianças se desenvolverem dentro do que lhes é possível.

Enquanto conversávamos com os pais, as crianças recebiam atendimento de fisioterapia e aromaterapia. Preciso dizer que, após as atividades, a Madrine ter conseguido com ajuda dar alguns passos até sua irmã fez a alegria de todos? Segundo os presentes, a evolução dela é notável!

A inclusão das crianças com necessidades especiais é um dos objetivos do projeto Escola em Uganda e contamos com apoio de pessoas que se identifiquem com a causa para ajudarmos também essas crianças a alcançarem todo o seu potencial.

Qualquer pessoa ou organização que tenha interesse em colaborar, pode entrar em contato através do e-mail: escolaemuganda@gmail.com

Até mais!